Anatomia óssea

Ao clicar no primeiro botão, você poderá conhecer os nomes dos principais ossos do crânio de uma criança recém-nascida. Deslize o mouse sobre os ossos e os respectivos nomes aparecerão no alto da figura.

Observe que há espaços entre os ossos, alguns maiores e outros menores e a forma do crânio é alongada no sentido ântero-posterior. A razão é a mesma para estas duas características: elas ajudam a mãe na hora do parto facilitando a passagem da criança pelo canal vaginal. Os ossos na verdade não estão ainda soldados entre si, mas unidos apenas por uma fina membrana. No momento do nascimento é isto que permite que os ossos cavalguem uns sobre os outros diminuindo o diâmetro total da cabeça para facilitar a passagem pelo canal de parto. Após o nascimento, os ossos progressivamente voltam à posição original.

Repare que há alguns espaços que se destacam pelo tamanho maior. São as fontanelas ou, simplesmente, janelas. São regiões onde a membrana que une os ossos é mais exuberante. Esta janelas são também chamadas popularmente de "moleira" e persistem até aproximadamente os dois anos de idade. No adulto, estes espaços desaparecem e os ossos se tornam firmemente unidos por uma interdigitação das bordas das placas, também conhecidas como suturas ósseas.

Janelas
ultra-sônicas

A ultra-sonografia é uma das ferramentas de exame mais importantes hoje em todas as áreas da Medicina. O método é extremamente útil para avaliar as estruturas internas do corpo. Somente dois fatores prejudicam a penetração do ultra-som e, portanto, a qualidade do exame: a presença de ossos e de ar. Por esta razão a avaliação do cérebro é feita utilizando-se as janelas presentes no crânio da criança. Há duas janelas principais para a entrada do ultra-som, uma no topo da cabeça e outra na lateral. Colocando a sonda de ultra-som nestas regiões, o médico pode avaliar muitas das estruturas internas do cérebro e, principalmente, observar o volume do sistema ventricular. Veja os exemplos abaixo.

 

 

Nestas duas figuras o médico avalia através do ultra-som o correto posicionamento do cateter de drenagem da hidrocefalia (seta amarela). A janela utilizada foi a bregmática, situada no alto da cabeça. (Prof. HR Machado - Neurocirurgia da USP)
 

Efeito da hidrocefalia

Quando ocorre acúmulo de líquido dentro dos ventrículos, o cérebro é empurrado contra a face interna dos ossos do crânio. Na criança pequena, os ossos ainda não estão firmemente conectados como no adulto. Por isto, o cérebro, ao se expandir, faz com que a cabeça cresça junto, chegando algumas vezes a atingir diâmetros impressionantes se não houver intervenção médica adequada e oportuna. A testa torna-se protrusa e a cabeça se alonga principalmente no sentido ântero-posterior. O olhar fica desviado para baixo, sendo chamado de "olhar de sol poente" por analogia. As veias cutâneas da cabeça podem ficar muito evidentes devido à pele fina e à congestão venosa.

No adulto, os ossos estão fortemente unidos pelas suturas. Isto faz com que o diâmetro da cabeça não se expanda como na criança, se um indivíduo adulto vier a desenvolver um quadro de hidrocefalia.

 
 

Alterações do  crânio da criança. À esquerda, perfil normal e, à direita, com hidrocefalia. As deformidades ocorrem porque, na criança abaixo de 2 anos de idade, os ossos do crânio ainda estão unidos por membranas fibrosas que somente mais tarde se ossificarão. A pressão exercida pelo cérebro em expansão faz com que o crânio cresça em um ritmo anormalmente acelerado e deformado.

 

 

 

 


 

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